Mesmo após acordo de padre com MPF, família de Preta Gil continua com processo por danos morais por falas em missa na Paraíba

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Danilo César, padre denunciado por intolerância religiosa em fala sobre Preta Gil participou de ato após não persecução penal com o MPF Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco A família de Gilberto Gil continua com um processo por danos morais contra o padre Danilo César, da paróquia de Areial, no Agreste da Paraíba, que foi denunciado por intolerância religiosa por uma fala sobre Preta Gil durante uma homília de uma missa que foi transmitida ao vivo no ano passado. O processo é na área cível e cobra um pagamento por danos morais de R$ 370 mil. Esse processo cível foi aberto em 5 de novembro na 41ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro e é conduzido pelo juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres. Na peça de abertura do trâmite judicial a qual o g1 teve acesso, o magistrado estabelece os ritos do processo. O processo atualmente está na fase de defesa do padre. Agora, a próxima etapa será a réplica da família de Gilberto Gil, ou seja, a manifestação dos autores para rebater os argumentos apresentados pela defesa. O advogado do padre na área cível, Rodrigo Rabello, confirmou ao g1 que a defesa já foi protocolada. Por outro lado, os advogados da família Gil, Layanna Piau e Fredie Didier, que representam a família no processo cível, alegaram que Gilberto Gil quer um reconhecimento do padre, embora tenha havido um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) na esfera criminal. Os advogados alegam que o conteúdo da defesa apresentada no processo cível pelo padre demonstra divergência em relação ao que foi assumido anteriormente no acordo com o MPF. Para firmar o acordo na área criminal, o padre precisou assinar um termo de confissão de conduta ilícita. No entanto, na defesa apresentada na ação cível, ele não reconheceu responsabilidade pelos fatos e afirmou que apenas manifestava sua própria fé quando associou a prática de religiões de matriz africana à morte de Preta Gil. Fredie Didier disse ainda que o acordo que o padre fechou juridicamente requer o reconhecimento da conduta e que, por um juiz ter homologado a decisão, o padre se manifestar-se posteriormente com uma posição contrária, pode ser interpretado como quebra de decisão judicial. Ele não informou se vai recorrer do acordo. Ao g1, a defesa do padre também disse que os processos não têm relação e que o acordo do padre com o MPF não previu "assumir qualquer prática de crime". "No ANPP do procedimento criminal, em momento algum o padre assumiu qualquer prática de crime, tampouco de dolo. Ele somente assumiu o que era público e notório: que proferiu aquelas falas que foram gravadas. O texto do ANPP é claro nesse sentido. Ademais, os objetos centrais do procedimento criminal e do processo civil são diferentes. De sorte que, em nosso entendimento, no processo civil, não há como se estabelecer relação entre ambos os procedimentos", disse. Em fevereiro, o padre fechou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal da Paraíba para não responder criminalmente no processo da área criminal, e se comprometeu em ter várias condutas para ter direito ao benefício, entre elas, participar de um ato inter-religioso e fazer resenhas de livros que tratam do combate a intolerância religiosa. O ato religioso foi realizado em 6 de fevereiro e o padre Danilo César não quis se pronunciar durante o evento. LEIA TAMBÉM Gilberto Gil chama de 'agressão' fala de padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil em ato Ato inter-religioso do MPF marca etapa de acordo em caso de intolerância religiosa na PB Padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil se recusou a falar em evento com Gilberto Gil; VÍDEO Veja abaixo todos os pontos do acordo do padre com o MPF Leitura e produção de resenhas manuscritas das obras A Justiça e a Mulher Negra (Lívia Santana) e Cultos Afro-Paraibanos (Valdir Lima), preferencialmente capítulo a capítulo, para garantir compreensão geral; Produção de resenha manuscrita do documentário Obatalá, o Pai da Criação; Cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com certificados válidos, podendo somar diferentes cursos, inclusive na modalidade EAD com controle de presença; Até o fim de junho, é obrigatório entregar as 3 resenhas manuscritas e no mínimo 20 horas certificadas de cursos; Pagamento de R$ 4.863,00, em até 5 dias, via Pix para a Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE); Participação obrigatória em ato inter-religioso com presença de diferentes religiões e familiares de Gilberto Gil. Danilo deve comparecer e articular previamente sua participação com a Procuradora da República. "Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?" Associação denuncia padre por intolerância religiosa ao citar morte de Preta Gil, na PB O caso ocorreu no dia 27 de julho. Durante a homilia, o padre citou a morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de um câncer colorretal, associando a fé dela em religiões de matriz afro-indígenas a morte e sofrimento. A missa foi transmitida ao vivo pelo Youtube da paróquia de São José, em Areial. O vídeo foi retirado do ar após a grande repercussão nas redes sociais. “Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?", disse. As declarações com cunho de intolerância religiosa também aconteceram em relação aos fiéis para os quais o padre estava presidindo a missa. Ele chegou a se referir a religiões de matriz afro-indígenas como "coisas ocultas" e que desejava "que o diabo levasse" quem procurar essa prática. “E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha", disse A fala foi considerada como preconceituosa pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial. O presidente da instituição, Rafael Generiano, fez um boletim de ocorrência contra as falas do padre por intolerância religiosa à época. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/03/01/mesmo-apos-acordo-de-padre-com-mpf-familia-de-preta-gil-continua-com-processo-por-danos-morais-por-falas-em-missa-na-paraiba.ghtml


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